Temos que lutar quatro vezes mais para chegar onde um homem chega

Bruna Fracascio relata algumas dificuldades de ser mulher e seguir uma carreira no audiovisual

 

A população de mulheres no Brasil é maior em relação aos homens, sendo elas, 51,7% e eles, 48,3%, segundo os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) de 2018. Mesmo sendo a maioria no país, com dados de 2016, elas ocupavam apenas 44% de vagas no mercado formal. E essa falta de representação feminina não é diferente no campo profissional do audiovisual.

 

Um estudo divulgado pela Agência Nacional do Cinema (Ancine), que teve o objetivo de mapear o perfil do emprego no audiovisual entre os anos de 2007 e 2015, mostrou que as mulheres ocupavam 40% dos cargos no setor e em 2015 elas recebiam em media 13% menos que os homens em produções. Em 2016, apenas 20,3% dos filmes lançados no Brasil foram com mulheres na direção, a maioria sendo documentários e de baixo orçamento.

 

 

Bruna Fracascio, 24, formada em Cinema e Audiovisual pelo Centro Universitário em Itu e Santos SP (CEUNSP), escolheu esse ramo por acreditar que o entretenimento é uma comunicação 80% mais eficiente do que a comum e com o cinema você pode roteirizar histórias de vida e arte. Em conversa com ela, Bruna relata que dentro de uma produção, mulheres estão suscetíveis a sofrer alguma discriminação pelo simples fato de ser mulher. “Em produtoras, homens já tiraram a câmera das minhas mãos, me despediram porque critiquei um trabalho em vídeo onde pediram minha opinião e também já roubaram meus créditos por trabalhos.” Ela relatou que é comum escutar frases como: “Não pode contestar, tem que fazer seu trabalho e agradar” dando a entender que o cinema é um “mundo masculino”.

Na opinião dela, a falta de existência de filmes dirigidos por mulheres é por falta de oportunidade e espaço. “A indústria cinematográfica não concede isso a nós, temos que lutar quatro vezes mais para chegar onde um homem chega. Eles ficam com as câmeras, com os roteiros e nós, mulheres precisamos nos contentar com figurinos, assistências e o famoso ‘traz um cafézinho’”.

 

Bruna também conta que a presença de homens é bem maior do que de mulheres dentro de um trabalho audiovisual. “Sempre que estou em cargos e produções próprias que me possibilitam escolher, escolho mulheres!”.

Vivemos em uma sociedade ainda movida por convenções sociais machistas, que reproduzimos e nem percebemos muitas das vezes. Algumas pessoas ainda pensam que as profissões possuem gêneros, mulher só pode seguir cargos na educação e só homem pode ser engenheiro. A realidade é que os dois sexos podem realizar as mesmas funções, com as mesmas competências e ganhando o salário igual.

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