Mulheres no audiovisual, combina?


Petra Costa, Cineasta e Diretora do documentário Democracia em Vertigem Indicado ao Oscar 2020.

Talvez o título do texto seja uma frase que já foi muito dita em empresas de comunicação e agências de publicidade, ou até mesmo na boca de quem lê os créditos ao final de um documentário e se depara com uma mulher editora de imagem ou cinegrafista. Infelizmente o machismo está enraizado em nossa cultura e inconscientemente soltamos frases como essa sem desconfiar do preconceito e da desqualificação que as mulheres recebem em seu dia a dia, no mercado de trabalho e no meio audiovisual.

Entretanto, respondendo à pergunta: Mulheres no audiovisual, combina? Eu digo, combina! E combina muito. Como a maioria de nós sabemos, o gênero não influencia em nada na sua qualificação para executar qualquer trabalho, como o exemplo de muitas mulheres que quebram tabus diariamente executando serviços que até pouco tempo atrás era visto como masculino, deixando claro uma certeza: Independente do que trabalha, seu sexo nem sua sexualidade interfere ou desqualifica seu trabalho e vice-versa.

Como o caso da Petra Costa diretora do documentário Democracia em Vertigem, não foi diferente, recebeu diversos ataques machistas e sexistas sobre sua posição no documentário, o que infelizmente já era esperado, mas o que chocou mais foi uma declaração do Jornalista e Apresentador Pedro Bial, que em uma polemica atacou a visão de Petra retratada no documentário e disse que a diretora “choramingou muito”. Apesar do teor do documentário ser político e retratar um momento delicado para os brasileiros, os ataques a Petra foram além de posicionamento político, foram misóginos e machistas, desqualificando todo seu trabalho durante sua trajetória.

O exemplo do caso da Petra Costa foi importante para repensarmos o peso de uma mulher no mercado de trabalho e ainda mais no meio audiovisual, onde o julgamento por um possível erro na concepção de muitos, seja motivo de repúdio e julgamentos. Mulheres assim como os homens deveriam ter a escolha e o reconhecimento de trabalhos, o peso por erros e permissão para seguir em frente e recomeçar.

Lugar de mulher é onde ela quiser, seja na direção de um documentário, editando conteúdo, produzindo e captando imagens, escrevendo o roteiro ou até fazendo a manutenção dos equipamentos do set ou estúdio. Mulheres no audiovisual, combina SIM!

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