Protagonistas da vida real

April 28, 2020

 

Desafio. Essa é a palavra que guia as mulheres, principalmente das que trabalham com audiovisual, todos os dias atrás ou em frente às câmeras. O que podemos notar é que de alguns anos pra cá, o número de mulheres que lideram as plataformas de streaming, presentes nas redações ou cinemas cresceu de forma absurda e mesmo assim, continuam representando a minoria de pessoas nestes locais.

 

Como exemplo de mudança na forma de comportamento do audiovisual, é a sequência do filme Os Incríveis. Gosto de usar essa animação exatamente por ter sido criada em especial para crianças. Neste segundo filme, Helena (a mulher elástica) aparece como protagonista e todas as reviravoltas que acontece na história são feitas por mulheres.  Vale também ressaltar que o marido poderoso Sr. Incrível tem uma grande dificuldade de cuidar dos filhos e realizar tarefas domésticas.

 

A primeira versão do filme que foi lançada em 2004, trouxe o Sr. Incrível salvador do mundo e a sequência em 2018, a Mulher Elástica no foco da trama. O que é legal pois o filme é principalmente para o público infantil, então já passa um novo olhar aos pequenos. Saindo dessa questão que os filmes cada vez mais colocam as mulheres como protagonistas, enfrentamos na realidade um outro lado da moeda.

 

O que eu mais sinto, na produção de uma reportagem é a desvalorização por parte dos entrevistados, principalmente quando o assunto é futebol. Mesmo que esse padrão de que mulheres não entendem futebol tenha quebrado e continua a cada dia, a grande parte dos homens não levam a sério uma pergunta feita por mulher, alguns inclusive chegam perto com gracinha. Aí aprendemos que precisamos ser duras como pedra para conseguir trabalhar, aguentar comentários machistas o tempo todos na redação e por aí vai porque a lista é grande do que temos que enfrentar.

 

Percebo o quanto é desafiador ser mulher e trabalhar com audiovisual, justamente porque por muito tempo eram locais predominantemente masculino. Na produção de uma reportagem, pouca valorização. Na criação de um filme, menos ainda. Em frente às câmeras, julgamento por estar ali, como se só merecesse por conta da beleza. Não é fácil, a luta é diária para conquistarmos nosso espaço. Seguimos firmes e juntas para nos tornarmos protagonistas de todas as histórias que escrevermos.

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