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Precarização dos direitos trabalhistas nos aplicativos de entrega

Motoboys sofrem com a falta de suporte em caso de acidentes

Por: Filipe Gebran - 11 de maio de 2022 às 17h38


A precarização dos deliverys tem sido um problema bastante comentado por muitos Motoboys que se prestam serviços de entrega para sustentarem suas famílias, isso porque esse trabalho é, além de pouco remunerado, arriscado. É o que mostra a matéria escrita por Raphael Martins para o G1, no dia 17/03/2022 que, nos atenta para o fato de que esses aplicativos de entrega não garantem qualquer direito trabalhistas aos seus entregadores.


O iFood, por exemplo, é uma empresa brasileira que foi fundada em 2011 e no últimos dez anos, teve um crescimento expressivo. Entre 2011 e 2014, a empresa recebeu quatro investimentos e em 2015, a Moville (uma empresa investidora) se tornou dona de 100% do aplicativo. Já no período entre julho de 2020 à julho de 2021 o IFood teve um crescimento de 193% nos números de pedidos, conforme noticiado pelo Canaltech em 30/08/2021. Esse número é resultado do período pandêmico que impediu as pessoas de saírem de casa, fazendo o serviço de entregar se tornar essencial.



Manifestação dos Motoboys (Imagem: Reprodução Tv Globo)

O Motoboy Kaio Henrique Aparecido Dias (23), nos conta a sua experiência com os aplicativos de entrega. “O serviço do iFood tem uma plataforma muito boa, no quesito oportunidade de trabalho", comenta Kaio que ainda explica como isso funciona. "Quanto mais você entrega e consegue receber avaliações positivas, mais oportunidades de novas entregas surgem e o seu valor por entrega também aumenta".


Com a oportunidade de ganhar dinheiro com entregas, motoqueiros se arriscam diariamente para faturar o máximo possível. E é aqui que o perigo se apresenta, pois a falta de vínculo empregatício desobriga os aplicativos de dar suporte a um entregador caso ele se acidente durante o trabalho.


“Em fevereiro desse ano, eu me acidentei enquanto fazia uma entrega pelo iFood, trinquei meu rosto nesse acidente e não recebe nenhum suporte, o que me deixou até começo de abril, ou seja cerca de dois meses, sem poder trabalhar e claro, sem poder receber", é o que conta Kaio Dias que aproveita para dar sugestões aos aplicativos. "Seria interessante eles colocassem alguma opção de reportar acidente, além de garantirem alguma forma de auxílio para o motoqueiro acidentado, pelo menos uma soma de 30% do que a gente recebe por semana”.


Porém, o auxílio sugerido por Kaio é uma realidade bem distante, pois a única coisa que garante, por lei, suporte financeiro a trabalhadores acidentados continua sendo a carteira de trabalho assinada, o que os aplicativos de entrega não demonstram nenhum interesse em realizar.

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