CRIMES NOS ESPORTES
PUNIÇÕES JUSTAS OU INJUSTAS?

Por: Barbara Lima, Felipe Costta, Rafaela Silva, Raphael Franco, Vitor Silva, Yago Gomes, - UNIFACCAMP, Campo Limpo Paulista
Prof. Responsável: Felipe Schadt

10/12/2021

N o dia 12 de outubro deste ano o atleta Maurício Souza, Central do Minas Tênis clube e da seleção brasileira de vôlei, fez um post de cunho homofóbico em seu Instagram, o que acabou culminando com a demissão do atleta da equipe do Minas Tênis Clube e com a perda de espaço na seleção brasileira, comandada pelo Técnico Renan Dal Zotto. O post era uma crítica a bissexualidade do novo Superman, personagem da DC Comics que aparece beijando um personagem do gênero masculino no anúncio da editoria de histórias em quadrinhos. O anúncio da demissão aconteceu no dia 27 de outubro e só aconteceu por conta da pressão dos principais patrocinadores da equipe mineira, FIAT e Gerdau.

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Infelizmente este não é um caso isolado de crime social no esporte, pois acontece constantemente em diversas outras ligas e entidades esportivas espalhadas pelo mundo, até mesmo nas mais famosas e conhecidas. A NBA (Associação Nacional de Basquetebol dos EUA), NFL (Liga Nacional de Futebol Americano), a MLB (Liga principal de Beisebol dos EUA), FIFA (Federação Internacional de Futebol), a UEFA (União das Federações Europeias de Futebol), CONMEBOL (Federação Sul-americana de futebol) e entre outras, são entidades que lidam constantemente com esses crimes sociais, seja homofobia, racismo, antissemitismo, violência doméstica e sexual, machismo e entre outros crimes, sempre julgando e aplicando as punições aos atletas e clubes.

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Essas grandes entidades costumam ter um órgão jurídico específico, onde eles decidem punições dentro da liga, seja por violência ou questões sociais envolvendo atletas e entidades, podendo ir para um júri popular dependendo da gravidade do caso. Um exemplo famoso de órgão jurídico dentro do esporte é Supremo Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), que é um órgão autônomo e custeado pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF), que julga e discute as legalidades no futebol brasileiro.

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Você verá nesse texto diversos casos no mundo do esporte relacionados esse problema e como eles foram tratados juridicamente. Todos esses casos, recentes e mais antigos, causaram uma grande polêmica entre os torcedores, que discutiram se foi justa ou não a decisão tomada pelo poder judiciário. 

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A Liga Americana de Basquete (NBA) é um sucesso por todo mundo, tendo astros como: Michael Jordan, Lebron James, Kobe Bryant e etc. Estes jogadores encantam e influenciam diversas pessoas tanto no esporte como inspiração, mas também na moda e estilo de vida.

Porém, certas coisas os fãs, patrocinadores e donos de clubes gostariam de esquecer. O Ex-jogador e técnico do Dallas Mavericks,  Jason Kidd  tem um passado polêmico que perpetua até hoje dentro da liga. Nascido em 1973, em São Francisco, na Califórnia, na infância Kidd se interessava por futebol. Foi na terceira série que começou a jogar basquete e desenvolveu seu amor pelo esporte. Sua inteligência na leitura das quadras o levou a ser a terceira escolha do draft da NBA pelo Dallas Mavericks em 1994, após muito sucesso na NCAA (Liga universitária de Basquete).

Jason Kidd jogou no Phoenix Suns, New Jersey Nets e Dallas Mavericks novamente, até se aposentar do New York Knicks. Conhecido como “O Magic Johnson com uma pitada de Hip Hop” devido ao fato de ser marrento, provocador, gostar muito de hip hop e claro, dar assistências impressionantes e inacreditáveis a seus companheiros, foi campeão da NBA em 2011. Kidd teve uma carreira gloriosa, mas com bastidores polêmicos.

Em 2001, apareceu a primeira polêmica onde a polícia teve de intervir em uma “discussão doméstica”. Já em 2007, as coisas pioraram. A ex-esposa de Jason Kidd o acusou de “violência extrema”, sendo que neste mesmo ano, o jogador foi denunciado por uma mulher de 23 anos por assédio em uma boate em Manhattan, Nova York. O detalhe é que o jogador ainda atuava na NBA, sendo que nada foi feito na época e ele continuou jogando.

 

 

 

 

 

 

Após sua aposentadoria em 2013, Kidd passou um tempo estudando para se tornar técnico. Na temporada 2013-2014 veio seu primeiro contrato como técnico pelo Brooklyn Nets, onde teve seus melhores números e um relativo sucesso. Após sua passagem pelo Nets Kidd foi contratado pelo Milwaukee Bucks, onde ficou por quase quatro anos. Foi em Milwaukee que mais polêmicas surgiram, vindas de denúncias de abusos por alguns jogadores do elenco. O astro Giannis Antetokounmpo relatou falas abusivas por parte de Kidd, e teve um suporte do ex-pivô, Zaza Pachulia, que também relatou abusos do treinador.

Hoje em dia, Jason Kidd continua atuando como técnico da equipe do Dallas Mavericks. Seus casos, tanto de abuso sexual, como verbal continuam repercutindo na mídia, sendo alvos de crítica de torcedores, diretoria e jogadores, sendo que Lebrom James, um dos maiores jogadores da história do basquete, não é livre de críticas por apoiar o técnico.

 

 

 

 

 

É claro que Kidd não é o único. Outros astros também já foram acusados de abuso sexual veja alguns destes casos, os quais nos mostram que a falta de uma devida punição pelas equipes ou pela própria NBA com seus jogadores, torna os casos cada vez mais recorrentes, uma vez que o acusado sabe que sua punição - se é que ela existe - não será adequada.

Joumana Kidd e Jason Kidd

Jason Kidd e Gianis Antetokounmpo

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“Me chamaram de “macaco fodi**”... Esses assuntos não têm nada a ver com esporte. Devem ser identificados e mantidos fora dos estádios para sempre.” Foi desta maneira que o zagueiro Kalidou Koulibaly, do Napoli, desabafou em suas contas no Twitter e no Instagram, seguido de uma hashtag com a palavra “não ao racismo”, após ser vítima de racismo por parte da torcida da Fiorentina, na partida do Campeonato Italiano entre as duas equipes.

 

 

 

 

Por mais que seja comum pensar em futebol e ligar o esporte à graça e às misturas de culturas e etnias, independente de fé, raça ou origem, afinal, a linguagem da bola é universal; os recentes incidentes de discriminação racial em jogos desse desporto mostram, sem dúvida, que o preconceito é uma ferida que humilha. Esse sentido desclassificatório dirige-se com mais ênfase a determinados grupos de jogadores, que em geral são negros ou mestiços; e um estádio lotado pode ser um gatilho.

 

O futebol italiano, por exemplo, sempre foi atormentado pelo racismo. Há tempos atrás, os promotores começaram a investigar os gritos racistas dos torcedores da Lazio contra os meio-campistas do Milan, Tiémoué Bakayoko e Frank Casey. No entanto, os "Libertà per gli Ultras", ou “A Liberdade é dos Ultras'', um grupo de torcedores que passou a ter enfrentamentos com a justiça e a polícia, são os apoiadores mais radicais do clube e que realmente possuem envolvimento com grupos de extrema-direita.

 

Outro alvo de injúrias raciais foi o atacante nigeriano André-Frank Zambo Anguissa, que divulgou um comunicado em suas redes sociais, inclusive sendo retuitado pela conta oficial do Napoli:

 

Fale com seus filhos, seus pais, faça-os entender como é nojento odiar um indivíduo por causa da cor de sua pele. NÃO AO RACISMO.

 

Em pleno século XXI, atitudes irracionais são manifestadas por certos torcedores de determinados clubes, e após a repercussão do caso, a Federação Italiana de Futebol (FIGC) afirmou que abriu uma investigação sobre o incidente na partida entre Napoli e Fiorentina. “A Fiorentina expressa a mais firme e dura condenação pelos episódios de racismo ocorridos durante a partida contra o Napoli”, publicou o clube nas redes sociais e no seu site oficial.

 

Lilian Thuram, Campeão do Mundo com a França em 1998 e vice - em 2006, também criticou duramente a situação do racismo durante o Festival de Trento, relembrando a luta contra a discriminação. “Na Itália é a mesma situação de 25 anos atrás, vejo muita hipocrisia”, denunciou o francês. Além disso, comentou que é uma situação que já viveu na época com a seleção francesa após a conquista da Copa do Mundo de 1998: “Por que você tem que esperar para ganhar uma Copa do Mundo para perceber a realidade? Isso me incomodou, mas foi também uma forma de pensar da França.”

As polêmcias raciais marcam a seleção francesa desde que a equipe de Zinedine Zidane, em meio a uma crise de identidade nacional, uniu o país com o lema “negro, branco e árabe” no título de 1998. Um caso recente de hostilidade aconteceu entre a partida de Cádiz e Valencia, onde o brasileiro Gabriel Paulista e jogadores do Valencia tiveram de conter o zagueiro francês, Mouctar Diakhaby, que foi chamado de "negro de merda", pelo jogador Juan Cala, do Cádiz. A ofensa foi desferida após Diakhaby discutir com Cala sobre uma jogada aérea contra seu time. Os jogadores do Valencia abandonaram o gramado em forma de tributo, e o jogo foi paralisado por alguns minutos.

 

Por mais que o Cádiz tenha se manifestado por meio de uma nota oficial, afirmando ser contra racismo e xenofobia, a partida foi reiniciada sem Diakhaby, que foi substituído por Hugo Guillamón. O suposto agressor, Juan Cala, seguiu em campo.

 

Na Liga Escocesa, Scott Sinclair, atacante atualmente do Preston North End, compartilhou imagens da transmissão da partida entre Celtic e Aberdeen, que flagraram quando um torcedor vestindo camisa branca faz a imitação de um macaco como forma de ofensa à ele.

 

Acabei de ver o vídeo do jogo de domingo. É uma grande desgraça a ignorância de um torcedor sem educação imitando gestos como se fosse uma ofensa racial.

 

disse o jogador se referindo aos gestos que lembram a primatas feitos por um torcedor dos Reds. O treinador do Celtic, Brando Rodgers saiu em defesa do jogador e criticou o que aconteceu no estádio. “Isso não pode ser tolerado. Jogamos em atmosferas grandes, intensas, mas isso não é algo que queremos ver. Scott Sinclair lida com isso de maneira admirável.” afirmou o técnico.

 

No Leste Europeu, o crescente domínio das ideologias de extrema-direita na região não se limita apenas à preferência política, como também nas arquibancadas. Em Dezembro de 2020, o clube de Futebol Paris Saint-Germain (PSG) e Istanbul Basaksehir abandonaram um jogo em protesto contra o racismo, após o árbitro da partida pela Champions League, Sebastian Coltescu, usar uma expressão racista contra Pierre Webó: “Aquele negro ali. Vá lá e verifique quem é. Não dá para agir assim!”

 

Após o insulto e revolta de alguns jogadores, as câmeras flagraram a cobrança do atacante Demba Ba, do Basaksehir, ao quarto árbitro pelo ato racista. “Você nunca diz ‘aquele cara branco’. Então por que quando você fala de um negro, você tem que dizer ‘aquele cara negro’?”, perguntou. Neymar e Mbappé, os dois principais jogadores do clube parisiense também se manifestaram. “Nós não vamos jogar”, afirmou Neymar. “Se esse cara não sair, nós não jogamos”, completou Mbappé.

 

Para completar o alvoroço, Jorge Jesus, treinador e ex-futebolista português que atuava como meio-campista, opinou sobre o acontecido de forma irônica: ``Está muito na moda isso do racismo. Como cidadão, tenho o direito de pensar à minha maneira. Só posso ter uma opinião concreta sabendo o que se disse, porque hoje qualquer coisa que se possa dizer contra um negro é sempre sinal de racismo.”

“Você nunca diz ‘aquele cara branco’. Então por que quando você fala de um negro, você tem que dizer‘aquele cara negro’?”

 

O Brasil também não se isenta das práticas racistas no futebol. Inclusive, as justificativas de derrotas são, na maioria das vezes, ancoradas nas representações raciais sobre negros e mulatos em campo. 

Existem jogadores negros que podem sofrer um impacto emocional muito forte quando vítimas de racismo. Mas, por outro lado, existem outros que tomam como papel o de agressor. Danilo Avelar, jogador do Corinthians, foi acusado de racismo em um jogo online por um torcedor. No chat do jogo “Counter Strike”, o zagueiro se referiu a outro jogador como “fi de rapariga preta”. O atleta assumiu a culpa e segue afastado do elenco.

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Kalidou Koulibay, zagueiro do Napoli

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Na 21º rodada do Brasileirão série B, o meia Celsinho, do Londrina, relatou ao árbitro ter ouvido a frase “vai cortar esse cabelo, seu cachopa de abelha”. O árbitro relatou o ocorrido na súmula da partida. A ofensa partiu do conselheiro do Brusque, Júlio Antônio Petermann, que confessou na audiência ter sido o autor das palavras acometidas, recebendo uma multa de R$ 30 mil e 360 dias de suspensão. Na mesma audiência, o Brusque foi punido pela perda de 3 pontos e uma multa de R$ 60 mil pelo episódio. Na última quinta-feira (18), o STJD decidiu devolver os três pontos para a equipe Catarinense no Campeonato Brasileiro Série B. A punição em multa e a punição ao conselheiro continuaram intactas. Celsinho ficou revoltado com a decisão tomada pelo STJD no mês consciência negra: “muito vergonhoso"

 

O futebol deveria representar um espelho para a sociedade, refletindo uma luta coletiva, e não individual. Seria fácil fazer essa suposição, mas muitas pessoas ainda não foram capazes de encontrar nada além de uma bola, que definitivamente conecte um jogador ao outro. No entanto, cerca de metade da seleção europeia de futebol da Inglaterra, com olhos azuis e cabelos loiros, vêm de famílias de imigrantes; e sim, todos eles comem bananas.

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O  ex-técnico Jon Gruden, no período de 2003 foi o treinador mais jovem a vencer o Super Bowl, com 39 anos, pelo Tampa Bay. Considerado promissor, o mesmo após alguns anos voltou a atuar na NFL, se tornando o técnico principal do Las Vegas Raiders, onde atuou por sete anos. Até que se demitiu, após um grande escândalo, onde ele era o protagonista.

Uma matéria da Times trouxe á tona uma nova investigação da NFL, sobre uma suspeita de assédio sexual no Washington Football Team, que acarretou no encontro de um e-mail com xingamentos racistas entre Gruden e Bruce Allen, que era o presidente do Washington. Após isso, os investigadores decidiram ir além nas investigações, e encontraram uma extensa lista de e-mails de Jon que continha uma linguagem homofóbica, racista e machista, entre 2011 e 2018.

 

 

 

 

 

 

 

Mesmo que na época, Gruden não estivesse contratado pela NFL e fosse apenas um comentarista, o ocorrido acabou interferindo na sua carreira de técnico.

O primeiro e-mail que foi exposto, Gruden se referia a DeMaurice Smith, diretor executivo da Associação de Jogadores da NFL, dizendo que ele possuía "beiços do tamanho de um pneu da Michelin”. Trazendo à discussão de como a estética negra é um problema para uma sociedade embranquecida, que acredita que a beleza está nos traços europeus e na pele clara. Outrora, quando o mesmo recebeu um link para um artigo sobre jogadores da NFL, convocando-o para apoiar seus esforços de promoção da igualdade racial e reforma da justiça criminal, Gruden deu um conselho para Goodell: “Ele precisa se esconder em sua tenda de protocolo de concussão”, escreveu ele.

 Já em 2014, também em e-mail, ele fez outra declaração desrespeitosa sobre Roger Goodell, comissário da liga, que não passa de um “bicha” e um “antifutebol sem noção”, que impôs a contratação de Michael Sam. Desta forma, de acordo com ele, obrigando o Rams a draftar o jogador, que foi o primeiro jogador gay a ser contratado desta maneira.

  

Em um e-mail de 2015 que inclui Droste, McVay e outros, Gruden rudemente pediu a Allen para dizer a Bryan Glazer, cuja família é dona do Tampa Bay Buccaneers, onde Gruden treinou até 2008, para fazer sexo oral com ele. Allen disse que Glazer “aceitaria essa oferta”. Particularmente, Allen e Gruden pareciam ter poucos limites na expressão de linguagem homofóbica e transfóbica em 2020 para atual temporada, aponta queda nos gols, mas afirma: “Ele não é bom, é muito bom”.

Na sequência dos e-mails, Jon se posicionou contra a chegada das mulheres como juízas, de forma pejorativa e preconceituosa. E em outra conversa, com o presidente do Washington, eles trocaram fotos de mulheres de topless, até mesmo garotas da torcida da própria equipe, demonstrando o desrespeito de forma nua e crua dos tomadores de decisão do sexo masculino da NLF, e como eles se sentiam confortáveis menosprezando mulheres e compartilhando pornografia.

Após toda a repercussão dos diversos e-mails, Jon Gruden pediu demissão do Las Vegas Raiders. E explicou em nota:

 

Eu pedi demissão do cargo de head coach do Las Vegas Raiders. Eu amo os Raiders e não quero ser uma distração. Obrigado aos jogadores, treinadores, staff e torcida dos Raiders. Peço desculpas, nunca quis machucar ninguém”.

Neste ano (2021), o jogador Deshaum Watson foi acusado por mais de 20 mulheres de abuso sexual; dentre elas, diversas massagistas. O caso veio à tona quando uma das vítimas o acusou em uma delegacia, inspirando outras mulheres que o acusarem também. Em uma sessão de massagem, Watson teria tocado a massagista com sua genitália. O jogador continua atuando pelo Houston Texas.

Em 2019, o jogador Antonio Brown foi acusado de abuso sexual e estupro por sua ex-treinadora, Britney Taylor, no período que atuava pelo Pittsburgh Steelers. Britney relatou que Antonio a estuprou 3 vezes, sendo duas em junho de 2017 e uma em maio de 2018. Na época da acusação o jogador atuava pela equipe do New England Patriots, que decidiu afastá-lo. Na última temporada, Antonio voltou a atuar na NFL pela equipe do Tampa Bay Buccaneers, onde foi campeão do Super Bowl.

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Bruce Allen e Gruden

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É fato que o futebol é um dos esportes mais lucrativos do mundo. Graças a sua exposição, diversas marcas e milionários investem em times com o intuito de crescerem sua fortuna e aumentarem sua influência.

O exemplo mais recente é a venda de 80% do clube de futebol inglês Newcastle United, para o fundo público da Arábia Saudita, que tem como comandante o príncipe herdeiro do país asiático, Mohammad Bin Salman(imagem acima), um dos homens mais ricos do mundo, e que vive cercado de polêmicas fora das quatro linhas. 

                                       

Diversas são as acusações ao mandatário por sua postura ditatorial. Uma das mais famosas que o envolve é o assassinato de Jamal Krashoggi, jornalista saudita e forte crítico do governo, que foi brutalmente assassinado e esquartejado na embaixada de seu país natal, na Turquia por um esquadrão de soldados. A inteligência dos Estados Unidos acusa o novo dono do Newcastle de ser o mandante do crime.

Em um jogo entre Crystal Palace x Newcastle United, a torcida do time da casa subiu um cartaz de manifesto contra a compra do clube do nordeste inglês. No cartaz mostrado, Mohammad aparece decapitando um Magpie (pássaro símbolo do Newcastle) e ao lado dele, várias denúncias contra a postura do líder. Como uma crítica ao campeonato, abaixo de todas as acusações, uma caricatura do chefe executivo da liga, Richard Masters acenando positivo para os crimes e recebendo uma sacola de dinheiro suja de sangue.

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Outro dono de clube que vem causando desconfiança fora dos campos é Nasser Al-Khelaïfi, presidente do Paris Saint-Germain. O empresário qatari faz parte da autoridade de investimento do Qatar, fundo soberano financeiro que possui laços com o Talibã. 

A história do empresário começou quando ele iniciou sua carreira de tenista, por volta de 1988. Durante suas sessões de treino, conheceu o futuro herdeiro do trono de seu país natal, Tamin bin Hamad Al- Thani, que culminou numa amizade íntima entre os dois, e ajudou o então atleta a se ingressar na carreira no mundo dos negócios.

Desde então, sua carreira empresarial só cresceu. Em 2011, Nasser foi indicado por Al- Thani para ser o chefe da Qatar Sports Investments (QSI), onde foi designado a transformar o Paris Saint Germain em uma potência global do futebol.

Entretanto, a proximidade do líder do país da península árabe, e do CEO do clube francês gera controvérsias. Em entrevista para o podcast alemão 11 Leben, Uli Hoeness, presidente de honra do Bayern de Munique  afirmou: “ O dinheiro de merda de vocês não importa. Isso não é suficiente. Al-Khelaifi (Nasser, presidente do PSG) é o novo Hoeness? Não, não acho isso. Nem sei se (ele) gosta de futebol. A diferença dele para mim? Eu trabalhei duro para ganhar o meu dinheiro e ele recebeu como um presente”. Ele ainda provocou o Manchester City e o time parisiense, ambos subsidiados por fundos financeiros, dizendo: “Até agora estes dois clubes não ganharam nada. Eles vão perder para nós de novo. Nem sempre, mas de vez em quando. Esse deveria ser o nosso objetivo. E quando os derrotamos, isso me deixou muito feliz “

 

 "Eu trabalhei duro para ganhar o meu dinheiro e ele recebeu como um presente”.

No entanto, o oriente médio cresce cada vez mais nos esportes, seja patrocinando grandes eventos como é o caso da Aramco, empresa de petróleo e gás natural, que se tornou uma das principais patrocinadoras da Fórmula 1 recentemente; ou sediando grandes eventos, como o WWE, grande empresa de luta livre, que tem uma parceria com a autoridade geral de entretenimento saudita. Isso sem contar a Copa do Mundo de 2022, que segundo um levantamento feito pela revista Oxford da Inglaterra, os gastos com o evento podem chegar a R$60 bilhões. Os investimentos passariam desde a construção de modernos estádios, até a criação do transporte público.

E as polêmicas não ficam só no mundo dos magnatas e multimilionários. Vários escândalos de manipulação de resultados já ocorreram no futebol, e um dos mais conhecidos envolveu a Itália. O chamado Calciopoli culminou no rebaixamento de um dos maiores times italianos. O esquema funcionava da seguinte maneira: Dirigentes de clubes influenciavam árbitros a favorecerem seus times em partidas, com dinheiro e até com ameaças para os  que não concordassem com o esquema.

O escândalo foi revelado no final da temporada 2005-2006, quando Juventus e Milan disputaram ponto a ponto o título do campeonato, e a seleção italiana se preparava para a disputa da copa do mundo de 2006.

Dezenove jogos da temporada 2004-2005, foram denunciados com suspeita de fraude, sendo que grande parte das partidas envolviam as equipes da Juventus, Milan, Fiorentina, Lazio, Reggina e Arezzo.

O nome mais forte e que foi considerado pivô do caso foi Luciano Moggi, dirigente da Juventus na época, que aparecia em vários grampos e acusações, além da equipe de Turim estar envolvida em 7 dos 19 jogos investigados.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A federação Italiana com medo da perda de credibilidade do campeonato, puniu os clubes envolvidos com a perda de pontos para os times que apareciam nas acusações. As punições mais severas envolveram a equipe da Juventus, que teve seus dois títulos das temporadas de 2004-2005, 2005-2006 cassados, além de ser diretamente rebaixado para a segunda divisão do italiano, começando com 9 pontos a menos que as demais equipes na temporada de 2006-2007.

Fiorentina, Milan, Lazio, Reggina e Arezzo também perderam pontos nos campeonatos de 2005-2006, e de 2006-2007, e dirigentes e árbitros envolvidos nos esquemas acabaram sendo suspensos por 5 anos, com possibilidade de banimento do futebol.

Apesar disso, alguns times conseguiram dar a volta por cima. A Juventus, com ajuda dos campeões do mundo de 2006, Buffon, Del Piero, Camoranesi, além de craques como Nedved e Trezeguet, foram campeões da segundona do italiano com facilidade, e retornaram à primeira divisão. O Milan, apesar da perda de pontos, conseguiu terminar em quarto na temporada de 2006-2007, que possibilitou que o time disputasse a Champions League e fosse campeão no ano seguinte. Lazio e Fiorentina conseguiram terminar bem colocadas no campeonato. O Reggina se manteve na série A e terminou o campeonato em décimo quarto. Arezzo, time da segunda divisão, não conseguiu se segurar, e acabou despencando para a terceira divisão.

Um caso semelhante ocorreu no Brasil. A chamada Máfia do Apito, foi um esquema que tinha como objetivo alterar resultados de partidas dos principais torneios nacionais para ajudar apostadores a lucrarem com os placares encomendados. Edilson Pereira Carvalho foi o nome por trás  das alterações. O ex- árbitro de futebol, influenciou no resultado de 11 partidas do campeonato brasileiro de 2005, que foram anuladas e remarcadas.

O jornalista André Rizek foi o responsável por publicar o caso na mídia. O então membro da revista Veja, recebeu a notícia de sua editora chefe Thaís Oyama, no final de seu expediente e após certa insistência dela, Rizek acabou aceitando investigar o esquema. O repórter então, entrou de cabeça no caso, e acabou descobrindo as fraudes que envolviam diversos apostadores, entre eles, Nagib Fayad considerado o mentor do esquema, o empresário, que era conhecido como Gibão fugia do convencional e realizava aposta no time favorito, consequentemente, parte dos lucros era repassado para o árbitro envolvido no jogo.

Ainda assim, o campeonato seguiu e foi conquistado pelo Corinthians. Todavia, com muitas contestações do internacional, o clube que disputava ponto a ponto a  liderança do brasileiro, teve um confronto direto contra o time alvinegro. O jogo que terminou 1 x 1 , foi marcado por um lance em que Fábio Costa, goleiro do time paulista, comete falta dentro da área em Tinga. O juiz, porém, não marca nada e ainda expulsa o jogador do clube gaúcho por simulação, fato que gera revolta e acirra a rivalidade entre as duas equipes até hoje.

E quando o assunto é Brasil, vale lembrar que a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) é cercada de casos de corrupção que geram duras críticas dos amantes do esporte. José Maria Marin, ex-presidente da entidade, foi preso após participar de um dos maiores esquemas de corrupção do mundo, o chamado Fifagate, que envolveu desde presidentes de federações como Marin, a empresas de marketing esportivo.

 

 

 

 

 

 

 

 

O esquema denunciado pelo FBI, em parceria com a justiça Suíça funcionava da seguinte maneira: As agências subornavam os dirigentes para conseguir a preço baixo os contratos de campeonatos da CBF e CONMEBOL, os direitos comerciais eram cedidos aos intermediários, sem nenhum tipo de concorrência, e revendidos para emissoras de televisão e patrocinadores por valores altíssimos, que com parte do lucro da operação repassavam o dinheiro para os cartolas.

O esquema envolveu três presidentes da Confederação:

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Luciano Moggi (á esquerda), ao lado do craque argentino Maradona.

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Com isso, categoricamente se pode afirmar que nos dias atuais casos como feminicídio, racismo e homofobia dentro do esporte já não passam mais ilesos, de certa forma há uma comoção pública que impossibilita que esses crimes, ou que, as denúncias destes passam despercebidos. O acesso rápido às informações através da internet também se torna um fato extremamente importante nesse tipo de análise, pois é através da internet que além de informação, o público pode opinar com relação aos casos.

 

Para Sara, professora de educação física, funcionária pública, e fascinada por esportes, é muito triste e revoltante esses ocorridos dentro do segmento. A professora relata que há uma dificuldade enorme de ascensão feminina dentro do esporte, e conta também que há uma sexualização dos corpos femininos que dificulta ainda mais a abertura desse espaço, afirmando mais uma vez, que o ambiente muitas vezes é machista.

 

Outro ponto também necessário a ser discutido é sobre as penas e decisões judiciais que muitas vezes desagradam a opinião pública. Um caso recente que dividiu opiniões pelo público do esporte e até mesmo daqueles que não acompanham as modalidades, mas acompanharam o caso na mídia foi o do goleiro Bruno, culpado pelo crime de assassinato de sua ex namorada Eliza Samudio, mulher com que teve um filho, após cumprir a pena e estar no processo de ressocialização.

 

Bruno Fernandes de Souza está atualmente no time Boa Esporte Clube, porém, na época de sua estreia anunciada, o público do esporte se indignou, e muitos questionaram se era realmente necessário abrir espaço para um homem indicado por tamanha crueldade.  

 

Para o fã de esporte, Kleber Leandro da Silva, a decisão do clube é realmente de se indignar. O torcedor do Corinthians alega necessidade de abrir espaço e dar oportunidade a novos jogadores. No entanto, revela  acreditar ser desnecessário a inclusão de um criminoso em um clube grande. Comentários como estes são bem recorrentes nas matérias publicadas na imprensa relacionadas a esse assunto.

 

É importante que as decisões estejam sempre alinhadas com a lei, sendo necessário que as mesmas estejam sendo aplicadas de forma igualitária a todos, sem exceções. Os grandes órgãos de justiça e órgãos de esporte precisam estar abertos a reavaliar suas diretrizes, a fim de que o ambiente do esporte se torne um ambiente mais justo, esclarecido e acima de tudo, mais  seguro.

Chefe de Reportagem: Vitor Silva
Equipe Multimídia: Raphael Franco e Felipe Costta
Diagramação: Bárbara Lima e Yago Gomes
Revisão: Rafaela Silva