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Opinião: House of the Dragon constrói sua própria história

A série pode ser considerada épica, embora apresente um roteiro menos complexo. Fica tranquilo, nada aqui contém spoiler.


Por: Rafaela Silva Ferreira - 8 de novembro de 2022 às 22:20


Milly Alcock interpreta Rhaenyra Targaryen na primeira fase da personagem (Imagem: Divulgação)

Quando uma série sobre a Casa Targaryen foi anunciada, muitos fãs não apostaram todas as suas fichas. Afinal, os Targaryens que conhecemos não tiveram um final que agradou a todos.


Em 2022, conhecemos a trama principal da temporada de HOTD, que gira em torno da história da filha mais velha do Rei Viserys, Rhaenyra Targaryen, que é declarada a legítima herdeira de seu pai. No entanto, à medida que outros herdeiros (homens) surgiram, os obstáculos também apareceram. E assim, como em Game of Thrones, a trama passa por uma luta constante para descobrir quem vai sentar no Trono de Ferro.


No entanto, o spin-off já começa com pontos positivos. O primeiro episódio de House of the Dragon se passa quase inteiramente em King's Landing, lugar já conhecido. Além de personagens “secundários”, não há nada lá que ainda não tenhamos visto ou ouvido falar. Dessa forma, seguir House of the Dragon é muito mais fácil do que Game of Thrones.


Começando por Alicent Hightower. Olivia Cooke interpreta a personagem que vem se destacando, e sinceramente, não acredito que seja por ser uma “mulher terrivelmente reprimida”, como a própria atriz disse a revista VEJA. Alicent não é a “nova Cersei.” Apesar da comparação, a Hightower é uma das principais antagonistas de House of the Dragon, não a principal vilã. E, a Alicent mais nova, interpretada por Emily Carey, até gosta de verdade de Viserys e Rhaenyra. Cersei nunca demonstrou tais sentimentos, mesmo quando estava mais vulnerável. Além disso, ela é inteligente e observadora, duas qualidades que a fazem perfeita para a Guerra dos Tronos.


Olivia Cooke acredita que sua personagem é uma “mulher terrivelmente reprimida” (Imagem: Divulgação)

No entanto, tudo isso foi perdido quando ela se tornou uma gananciosa e provocadora rainha. Aponto Alicent como a principal mente por trás dos Verdes, e seu desejo de ser “primeira dama do reino”, que iniciou sua competição com Rhaenyra pela posição, foi bem aproveitado, mas não acho que todo o hype tenha valido a pena em decorrência a perda da - notável - amizade com a princesa Targaryen.



Faltou “o sangue nos olhos” da Rhaenyra da D'Arcy

E em falar na princesa, Rhaenyra não chega aos pés de Daenerys Targaryen e isso não tem nada a ver com ponto de vista. Enquanto os valores temáticos da personagem interpretada por Emilia Clarke estiveram presentes até o final de GOT, Rhaenyra pareceu se perder em suas próprias ideologias conforme foi crescendo. Enquanto a princesa era interpretada por Milly Alcock, sentíamos sentados no sofá, a personalidade da garota. Forte, feminista e acreditada naquilo que falava e fazia. Com certeza, tinha tudo para ser a princesa não só da Fortaleza Vermelha, mas de todos os espectadores. No entanto, Emma D'Arcy, a atriz da fase adulta, denotou uma Targaryen na corda bamba entre “hesitações e a permanência do patriarcado.” E ainda arrisco dizer que faltou “o sangue nos olhos” que uma mãe tem. Talvez você entenda isso mais tarde.


Além disso, Rhaenyra como mãe é uma ótima rainha. Laenor Velaryon (o herdeiro de Derivamarca) e Rhaenyra tiveram três filhos: os príncipes Jacaerys 'Jace', Lucerys 'Luke' e Joffrey 'Joff' Velaryon.



O príncipe Lucerys Velaryon poderia facilmente ser o rei, se não fosse por acontecimentos mais importantes, claro. Ele e Jacaerys Velaryon foram bem aproveitados e fiéis ao que já conhecíamos dos livros, mas o topo desse ranking não será tirado de Lucerys tão fácil. Elliot Grihault nos apresentou um Velaryon fiel, corajoso e apaixonante, que infelizmente não soube a hora de “não ser um herói”.


Outro destaque é Daemon Targaryen, que provavelmente é um dos personagens de toda a série que sabe melhor o que é ser irmão do rei. Moralmente correto ou não, ele certamente despertou algo em quem assistiu, assim como Viserys, o Pacífico. Este rei é diferente do que já conhecemos em GOT, isso porque ele é “ok” em sua personalidade, mas é bem questionável em suas decisões. Um diferencial é seu apreço por Rhaenyra. Ele foi um bom pai, certamente. Apenas não soube estender esse papel até o fim.


Dragões e mais dragões! O ponto mais alto da série. A forma como os Targaryens “ganham” o ser mitológico é sensacional, principalmente porque ainda existe a dúvida se aquele ovo vai chocar ou não. O que não aconteceu com Aemond. O filho mais novo de Alicent e Viserys até obteve seu ovinho junto a si no berço quando bebê, mas o dragão que deveria estar crescendo ali, nunca de fato “nasceu”. O que nos leva para uma cena de êxtase da série, envolvendo um Aemond desesperado e uma Vhagar - dragão fêmea já de idade - que obedece uma criança. Uma pena que essa obediência não durou tanto a ponto de não culminar o início da guerra civil entre os Targaryens.



Cada membro da Casa Targaryen possuí um dragão companheiro (Imagem: Divulgação)

Por fim, House of the Dragon, decerto é mais enfático do que GOT, devido à história mais curta e à tendência do autor George R.R. Martin a manter (quase) tudo igual ao que lemos. Qualquer um decepcionado com o final de Game of Thrones ficará encantado com o que este spin-off pode oferecer, eu garanto. Começa com uma mulher assumindo a liderança contra um patriarcado tóxico e, embora ela não consiga defender sua ideia até o final, não sofremos com as horríveis representações de incesto, sangue e parto. Esse último, só um pouquinho.






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