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Outubro Rosa e o auxílio da Psico-Oncologia para o paciente oncológico

Embora a psico-oncologia seja um campo de atuação multidisciplinar, no Brasil ela é desenvolvida principalmente por psicólogos.


Por: Rafaela Silva Ferreira - 25 de outubro de 2022 às 22h45



Atendimentos psicológicos ajudam pacientes a lidarem com o câncer (Imagem: Freepik)


Na década de 1990, as altas taxas de câncer em todo o mundo desencadearam um movimento popular conhecido como "Outubro Rosa", em que a luta contra o câncer de mama é o foco, e as pessoas, principalmente mulheres, são incentivadas a se envolverem. O movimento teve origem nos Estados Unidos e expandiu-se em todo o mundo. Iluminar monumentos e prédios públicos com luzes cor-de-rosa é uma das iniciativas para chamar a atenção do público para o assunto.


No entanto, embora todo o encorajamento devido a campanha, receber um diagnóstico de câncer nunca é fácil e está sempre associado a emoções fortes. Rotulada como uma doença dolorosa e mortal, os pacientes tipicamente vivenciam um tratamento muitas vezes demorado com diversos sintomas que causam danos.


O trabalho psicológico, seja em apoio, aconselhamento, reabilitação ou psicoterapia individual e em grupo, promove a divulgação do diagnóstico, aceitação do tratamento, redução dos efeitos colaterais e conquista de melhor qualidade de vida. O nome dessa especialização é Psico-Oncologia.


Daniele Godoy (36), formada em psicologia pela Faculdade Anhanguera e atuante no Hospital São Vicente, explica algumas questões sobre sua área. Especializada em cuidados para pacientes paliativos, a primeiro momento, deixa claro a importância de um paciente oncológico saber que está portando a doença. “O paciente saber que está com câncer é um direito por lei. A lei Mário Covas garante total capacidade de escolha do conforme em relação ao seu quadro de saúde”.


A psicóloga ainda ressalta as fases que um paciente enfrenta. “As fases que um paciente oncológico passa ao receber a notícia, podem ser facilmente detectadas: fase de negação, fase da barganha, onde ele faz seus questionamentos com Deus, a depressão e por fim, a aceitação. É importante saber que nem todos os pacientes desenvolvem esses tipos de sentimentos, já que não existe uma linha tênue entre eles”.


No Hospital São Vicente, que atende pacientes do SUS (Sistema Único de Saúde), na área de Oncologia Clínica e Cirúrgica é oferecido àqueles que estão em tratamento oncológico, a Psicoterapia Breve, onde ele tem direito a 12 sessões que são estruturadas desde a parte da Psico Educação, onde os profissionais vão ajudar na compreensão do processo de adoecimento, como também a aplicação de instrumentos que conseguem avaliar o humor da pessoa que recebe os recursos. A orientação e apoio aos familiares também é realizada no hospital, uma vez que é entendido que um familiar não adoece sozinho.


“Essa prática nasceu nos Estados Unidos, mediante a constatação de princípios psicológicos e a subjetividade de fatores envolvidos, tanto na etiologia do câncer como também nas fases de tratamento. A partir dali, se viu a necessidade de ampliar o olhar profissional. E acredito que não só a psico oncologia, mas a psicologia em geral é uma prática importante que aconselho a não ser subestimada,” finalizou Daniele.



Bruna Della Betta (Imagem: Arquivo pessoal)

Bruna Della Betta (34), descobriu há nove anos atrás, um câncer de tireoide, onde havia doze nódulos espalhados por sua garganta, sendo dois malignos. A descoberta foi muito difícil, afinal, na época, ela só tinha 25 anos de idade. “Depois da descoberta, foi hora de começar a batalha. Foram cinco meses fazendo exames até que fizeram a primeira cirurgia. Após ela, a biópsia acusou um câncer maligno. Mais uma vez meu mundo desabou. O sofrimento tomou conta de mim e da minha família, mas nunca perdemos a fé”. Bruna explica como a presença de um psicólogo a ajuda a lidar com a doença. “Hoje em dia faço acompanhamento com o psicólogo, pois naquela época não tive ajuda de um profissional. Mas isso me fez acreditar ainda mais que se eu tivesse ouvido palavras de apoio de um psico oncologista, eu saberia lidar melhor com a situação.”


Já Lucilene Gonçalves (43), teve a orientação de profissionais na sua tomada de decisão quanto à Mastectomia, como forma de "tirar tudo o mais rápido possível". Ainda segunda ela: “Minha filha é psicóloga, então eu sempre acreditei muito nesses profissionais. Sei que em nossa cultura, as mamas são um símbolo de identificação da mulher e sua feminilidade. Mas eu me vi em uma situação que tive que considerar essas questões: minha sensualidade ou a minha vida? Optei pela segunda opção há 1 ano”.




O papel do SUS no tratamento do câncer


Os usuários do SUS têm o direito de iniciar o tratamento do câncer, incluindo cirurgia, quimioterapia ou radioterapia, em até 60 dias da data do laudo do exame comprovado. Além disso, devem ter livre acesso aos medicamentos, exames, internações e procedimentos necessários para se recuperar.


O paciente deve registrar sua queixa de saúde na unidade do SUS mais próxima de sua residência. Então será encaminhado para uma clínica ou hospital especializado, onde será solicitado os exames necessários para identificar o câncer.


Uma vez confirmado o diagnóstico, o paciente pode ser encaminhado à Unidade de Atenção de Alta Complexidade Oncológica (UNACON) para tratamento.



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