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Eleições 2022: ativistas de causas minoritárias ainda representam minoria na política

Mesmo com eleições importantes para a esquerda, a onda conservadora da extrema direita se mostra cada vez mais forte no congresso

Por: Caroline Camargo - 24 de outubro de 2022 às 13h54


O movimento sufragista, iniciado no século XIX, foi uma luta feminista de reivindicação pela participação ativa das mulheres na política. No Brasil, as sufragistas foram responsáveis pela conquista do voto em fevereiro de 1932.


Noventa anos após esta conquista e mesmo, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), constituindo 52,5% da população brasileira, as mulheres representam apenas 15% da Câmara dos Deputados e 14% do Senado.


Em escala regional, essa representatividade é ainda menor, enquanto Campo Limpo Paulista tem apenas duas das 13 cadeiras da Câmara Municipal ocupadas por mulheres, Várzea Paulista não tem nenhuma entre os 11 vereadores eleitos. Nas eleições municipais de 2020, das 465 candidaturas a vereador registradas em Jundiaí, 132 eram femininas, no entanto, apenas uma mulher foi eleita no município.


Para Mariana Janeiro (31), candidata a Deputada Federal com a Chapa das Pretas (PT-SP), mesmo diante do conservadorismo dominante da Região Metropolitana de Jundiaí, candidaturas como a sua, seguem importantes para a região. “A gente viu o resultado das eleições e uma campanha como a minha, de militância, marcada pelas minorias, petista e que se dizia abertamente socialista, apresenta um ponto muito importante e o resultado nas urnas mostrou que tem gente que compactua disso, que quer tudo que a gente apresentou”.


Mariana Janeiro, candidata a Deputada Federal (PT-SP) (Foto: arquivo pessoal)

De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), nas eleições de 2022, foram registradas 9.794 candidaturas femininas, das quais 302 foram eleitas – o equivalente a 3%. Já entre os homens, foram 19.072 candidatos, resultando em 1.346 eleitos (7%). O levantamento mostra ainda que, ao todo, foram eleitas 39 mulheres pretas, cinco indígenas, 71 pardas e 184 brancas, de acordo com a autodeclaração de cada uma.


“Foi importante apresentar duas mulheres negras e mães concorrendo a uma cadeira na Câmara Federal. Tudo isso, todo esse conjunto de elementos, mostra uma resposta muito muito boa, na verdade não, não é uma resposta muito boa, é uma resposta muito urgente, uma resposta muito necessária para política que é praticada na nossa região”, avalia Janeiro.


Em termos de representatividade LGBTQIA+ esses índices são ainda menores. Levantamento do Programa Voto com Orgulho, da Aliança Nacional LGBTIA+, apontou que apenas 20 candidatos da comunidade LGBT foram eleitos no último dia 2 de outubro. A aliança monitorou o processo eleitoral e levantou 356 candidaturas LGBTQIA+.


“O resultado nas urnas trouxe um recado muito nítido: que a gente não pode subestimar o bolsonarismo - que é diferente de subestimar o Bolsonaro - mas, sobretudo, que a gente não pode subestimar o antipetismo”, conta Janeiro. "Muitas das candidaturas que foram eleitas desse espectro não foram eleitos pelo bolsonarismo, foram eleitos por esse sentimento antipetista que ainda é muito forte”, completa.


Apesar de tarde e lentamente, o Brasil começa a mostrar o desejo por representantes das causas sociais e defensores dos Direitos Humanos no congresso. Pela primeira vez, a Câmara dos Deputados terá duas deputadas trans. Duda Salabert (PDT-MG) e Erika Hilton (Psol-SP) serão a primeira bancada trans na história da Casa legislativa. Também foram eleitas para as assembleias estaduais as candidatas Dani Balbi (PCdoB-RJ) e Linda Brasil (Psol-SE).


Duda Salabert (PDT-MG) e Erika Hilton (Psol-SP) são as primeiras deputadas trans eleitas no Brasil. (Foto: reprodução da internet)

O alto índice de eleições de candidatos de direita e extrema direita pode ser identificado como reflexo da onda conservadora que tem ganhado cada vez mais força, desde as eleições presidenciais de 2018. Mesmo diante desta realidade, eleições como a de Erika Hilton e Duda Salabert são vistas como o início de uma mudança necessária no cenário político brasileiro. Segundo o sociólogo Benedito Tadeu César, em entrevista ao Instituto Humanos Unisinos, essas eleições revelam "a existência de uma maioria democrática, mas, igualmente, a existência de uma direita forte e resiliente".


Em 1888 a jornalista pernambucana Josephina Álves de Azevedo escreveu em seu jornal “A Família” a seguinte frase: “A igualdade entre os sexos é o único caminho para a evolução da pátria. A ativista foi uma das primeiras integrantes do movimento Sufragista no Brasil e defensora assídua dos Direitos Humanos. 134 anos depois, o Brasil caminha, com dificuldade e a passos lentos, em busca dessa realidade.






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